processo de traduções
Com o "renascimento" das actividades da equipa de tradução que nos últimos dias tem fervilhado com trabalho, ideias, comentários, estatísticas, debates e até código, vieram ao de cima - como é óbvio e esperado - 2 realidades indiscutíveis:
- as traduções para Português em quantidade e qualidade são possíveis.
- o processo em si de como devem ser feitas as traduções.
Quanto ao primeiro ponto nem vale a pena perder tempo a discutir. O trabalho está à vista de todos, basta instalar e usar a nossa distribuição de Linux favorita no nosso idioma. Está tudo traduzido? Não. Anda lá perto? Nem pensar. Mas o caminho é longo mas com o novo fôlego é percorrido num ritmo que não deixa dúvidas que o caminho é este os principais pacotes que nos interessam estão a aparecer traduzidos, começou o 'assalto' à tradução das mensagens debconf utilizadas durante a instalação/configuração de pacotes.
O segundo ponto é o problema actual - não é bem problema, é obstáculo a ultrapassar - que necessita ser debatido para que seja criada uma sistemática para a equipa de tradução funcionar o melhor possível, evitar trabalho duplicado e gastar tempo onde ele pode ser poupado e utilizado noutras ocupações.
Existem 1001 maneiras de trabalhar com uma equipa de tradução que o fazem por carolice, sem obrigação dentro do espirito dos ideais do software livre.
Cada cabeça sua sentença, aqui fica o que eu penso sobre o assunto - neste momento e com a realidade actual.
Vou primeiro identificar os problemas que a sistemática deve cobrir:
1 - informação do âmbito da equipa de tradução - quem somos, o que fazemos, como fazemos, o que queremos fazer (objectivos, 'milestones') e como podem os interessados fazer também connosco.
2 - informação do que está feito, do que não está feito e indicação para a informação de como fazer.
3 - evitar duplicação de trabalho (este ponto até pode ser uma redundância do anterior ou substituí-lo).
4 - comunicação: dúvidas e troca de informação.
5 - qualidade das traduções.
Para definir o processo de funcionamento de forma a tornar os problemas indicados acima em pontos fortes da equipa proponho:
1 - Revisão total da informação e organização do ~/traduz.
2 - Deve haver um sistema de informação que mostre o que já está totalmente traduzido, o que necessita de correcções e o que não está traduzido. Se as páginas oficiais Debian disponibilizarem esta informação deve-se apontar para lá porque esta é a fonte correcta e oficial - isto poderia ser desmontado em várias razões mas julgo não ser necessário.
3 - um suporte que permita "reservar" traduções para a pessoa X até à data Y. E obviamente mudar a data Y para Z caso o tradutor peça mais tempo. O âmbito desta ferramenta é desde que o tradutor toma a decisão que vai traduzir um pacote até este ser incorporado nos arquivos oficiais. Deve mencionar estados: "Em tradução", "A ser revisto", "Enviado para ser assimilado nos arquivos", "Necessita correcções". Ao ser incorporado nos arquivos deve sair desta listagem já que está mencionado nas listas oficiais.
4 - sou a favor de um fórum para dúvidas e debate de assuntos relacionados com as traduções. Mailing lists não era também má escolha, mas nos dias de hoje tornou-se tão penoso usar o e-mail que para assuntos colectivos prefiro usar a 'web' e e-mail apenas para mensagens pessoais/individuais.
5 - É incrível o que os olhos de uma 2ª pessoa conseguem descobrir. É essencial as traduções serem revistas por alguém além do tradutor. Aqueles que fizerem a revisão devem ter experiência com as traduções de modo a identificarem melhorias que levem a uma consistência geral dos termos do que se traduz. Devem trabalhar em conjunto com os tradutores devido à responsabilidade da qualidade da tradução que é disponibilizada para o mundo quando esta é submetida.
- Notas:
Creio que substituíndo/juntando o conteúdo actual com conteúdo recente resolve-se o problema de informação duplicada, confusa e dispersa.
Quanto á ferramenta para marcar traduções e listas do que se pode ou não traduzir, parece-me que ou está feito ou está muito próximo disso.
Quero concluír dizendo, que na minha opinião estamos no bom caminho e é bom que estes obstáculos surjam e sejam identificados pois mostram a maturidade e a preocupação para com a qualidade das traduções da equipa. Arrisco mesmo a dizer que 'subimos um degrau' e para continuarmos a subir temos não de descansar, mas parar para olhar para baixo e muito rapidamente contemplar o que ultrapassamos. Olhar para cima e ver o longo caminho que temos à frente e ultrapassar os obstáculos com estratégia.
Não posso acabar sem expressar a minha admiração pelo trabalho de dois companheiros de traduções que muito têm feito um a traduzir e o outro a criar ferramentas (programar) para as traduções. Não vou dizer os nomes todos sabemos quem são.
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