Andrew S. Tanenbaum e Minix3
Hoje, como parte do evento XV Semana Informática o Professor Andrew S. Tanenbaum (sim, O dos livros todos de Redes e Sistemas Operativos das vossas cadeiras preferidas)... eu, claro, fui ver.
O homem falou principalmente do Design do Minix 3 e como é que esse design é um bom passo em frente para o seu objectivo.
Embora a talk tenha tido partes giras, foi maioritariamente desinteressante. Qualquer pessoa com alguma familiaridade com micro-kernels, já sabia mais ou menos tudo aquilo.
No entanto, o homem tem razão: os computadores deviam ser mais como a televisão:
- Compram-se
- Ligam-se
- Usam-se sem problemas durante os próximos 10 anos
No entanto, todos sabemos que não é bem assim... e ele deu o belo exemplo de como fazer o setup do Windows (com o instalar de milhões de SP's, actualizações de segurança, e drivers defeituosos ... exemplo que só podia estar completo com o telefonema ao helpdesk, onde dizem para reinstalar o Windows). Tudo isto aliado ao facto de que em 2 ou 3 anos (e não os 10 que um aparelho normal é bem capaz de durar) o computador está estupidamente lento para o software que o vai habitar (mas isso do software bloat era outra talk completamente diferente).
Eu também acho que se deva seguir a direcção de ter um Computador em que tudo funciona bem desde que se liga até que se pede para desligar. Se algo corre mal, o utilizador não deve dar por isso.
No Minix o Tanenbaum "consegue" isso através do uso de um micro-kernel em que tudo o que pode é colocado no espaço de utilizador (e portanto sem acesso a instruções perigosas da máquina nem a toda a memória). A arquitectura do Minix é bastante interessante, e se eu tivesse oportunidade certamente que gostaria de trabalhar na construção desse sistema.
A parte que é talvez a mais importante desta arquitectura é a componente que ele chama regenerador (ou coisa do género), mas que eu apelidei de Necromancer. O objectivo desta componente é, literalmente, ressuscitar os mortos. Mas mortos muito especiais... estamos a falar do driver do disco, da rede, do gestor de processos, coisas do género.
Uma coisa que me intrigou foram os dados de overhead que ele apresentou. Os micro-kernels não são muito usados porque, reza a lenda, são estupidamente ineficientes em comparação com kernels monolíticos. O Tanenbaum mostrou estatísticas em que a performance hit de mudar os processos para modo utilizador era de cerca de 10%.
Infelizmente estas estatísticas são apenas entre o Minix 2 (que tinha os drivers no kernel) e o Minix 3 (que tem os drivers em userland). Era muito mais interessante ver números que comparassem o Minix com Linux, Windows, BSD, e quem sabe com outros micro-kernels (talvez um dia haja o Hurd :P).
Bem ... fico-me por aqui.
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Comentários
Já estou a vislumbrar a
Já estou a vislumbrar a nova port do Debian, liderada pelo ardoric:
Debian/Minix
:D