Desafio - MIGRAR UM AMBIENTE "INDUSTRIAL" TOTALMENTE PARA LINUX
Fui questionado este fim de semana até que ponto é possível e viável fazer a migração de um parque informático de uma oficina gráfica de pequena dimensão (5 trabalhadores) totalmente para uma estrutura Linux, dado que 98% do software lá utilizado é "pirata" - obrigadinho, ASAE!
Eis aquilo que tenho para trabalhar, ainda por cima porque fui questionado à quiema-roupa:
PARQUE DE HARDWARE
-- 3 Macintosh (configurações exactas escapam, mas o SO mais baixo é Mac OS 9.x, ao que sei)
-- vários scanners e algumas impressoras, sendo as últimas possivelmente algo "esotéricas" - desconheço as marcas
-- uma possível interface com uma impressora offset a ser regulada por Window$ (XP ou Vista, (incógnita))
PARQUE DE SOFTWARE (pirata e a necessitar remoção imediata)
-- Indesign (CS2 ou CS3)
-- Pagemaker (apesar de obsoleto ainda é usado como recurso)
-- Photoshop
É provável que exista mais software, mas a pessoa que me abordou apesar de trabalhar com eles não sabe nomeá-los; sabe o que fazem, mas não como se chamam, o que me conduz ao que penso ser o maior problema disto tudo: esta oficina gráfica é uma casa antiga, gerida por pessoas na sua maioria acima dos 55, com poucos conhecimentos de informática e algo reticentes em migrar para algo completamente desconhecido. Tudo isto só aparece com a pressão (entenda-se medo) que a ASAE anda a gerar no comércio e industria portugueses - apesar de pequena, a empresa ainda assegura 5 postos de trabalho.
Não tenho muita fé que mesmo que apareça com uma resposta estruturada seja capaz de "vender" a ideia, mas pelo menos o desafio é aliciante.
Até agora, já pensei nisto:
1) instalação em Dual Boot em todo o parque informático de Debian 4.0
2) troca do Indesign pelo OpenOffice
3) troca do Photoshop pelo GIMP
É isto viável? E quais são as falhas críticas que me estão a passar?
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Comentários
Na minha opinião...
Na minha opinião deves:
1)Verificar a compatibilidade das impressoras e dos scanners
http://tldp.org/HOWTO/Hardware-HOWTO/
http://www.linuxcompatible.org/compatcat3-1-1.html
2) Verificar a compatibilidade dos ficheiros que foram gravados com o software da Adobe, com o novo que será instalado;
3) Verificar até que ponto os trabalhadores estão dispostos a aprender a utilizar as novas aplicações e que repercussões terá o período de aprendizagem para a empresa;
4) Quanto ao Pagemaker, dá uma olhada em http://www.scribus.net/;
5) Dá uma olhada também no Inkscape (http://www.inkscape.org/) e no Blender (http://www.blender.org/)
Relativamente ao “dual boot", não será ilegal na mesma?
Abraço,
Imox
Primeiro, e como offtopic
Primeiro, e como offtopic visto não ser a solução ao problema levantado, se o software é pirata não percebo como a culpa é da entidade ASAE, XPTO ou outra coisa qualquer... Mas adiante.
Existem á partida 2 soluções em relação ao software:
- Levantamento de todo o software imprescindível e legaliza-lo.
- Substituir (o que tiver alternativa) o software por outro.
A primeira alternativa é a mais fácil e rápida de concretizar. Só é necessário telefone ou email e uma conta bancária...
A segunda exige um levantamento das reais necessidades. Depois fazer uma prospecção do que existe e possa ser adequado. E então fazer uma experiência-piloto e instalar uma estação de trabalho para ver o que há a 'afinar' e avaliar se é satisfatório.
Se é para enveredar pelo segundo caminho vai ser necessário alguém fazer um levantamento detalhado do software _e_ hardware a utilizar. Detalhado é marca, modelo e versão - para tudo.
Á partida as estações de trabalho necessitarão de:
- ambiente de trabalho (kde, gnome)
- acesso ao armazenamento na rede (samba?)
- ofimática (openoffice; koffice; ...)
- email (kontact, evolution, ...)
- processamento de imagem (gimp, ...)
- programa(s) de paginação (scribus)
- conversores de formatos de ficheiros (necessário ver as necessidades além das conversões que os progs acima já fazem)
- serviços/software de impressão e scanner (aqui é mesmo necessário o levantamento do hardware)
Penso que o mais importante mesmo para quem trabalha nesses ambientes são os programas de tratamento de imagem _e_ de paginação. Claro que sem os scanners/impressoras tb não conseguem trabalhar.
Parece-me fazível. Mesmo que tenham q eventualmente tenham ficar com uma máquina com programas 'mais' caros.
--
"No ínicio não havia nada e Ele disse: apt-get install light"
A minha ideia de arrancar a
A minha ideia de arrancar a migração num sistema de Dual Boot deve-se a não querer ser demasiado radical e privar o pessoal da oficina de um ambiente com que já está familiarizado e substituir a frio tudo. Não sou um carniceiro...
Além do mais, não quero meter as mãos nos equipamentos sem primeiro me sentar a conversar com o técnico/casa que neste moment está a "gerir" o parque, tendo todos os trabalhadores sentados à mesma mesa.
A conseguir implementar esta solução, quero fazê-la de formar gradual, até à totalidade.
A empresa só se teve de socorrer de software pirateado por exactamente não ter alternativa - são uma gráfica pequena, com pouco orçamento para investimentos elevados em software - mas não concordo que o técnico/casa que os suporta actualmente tenha "aberto a porta" a tal alternativa. Daí eu agradecer à ASAE o pânico que está a gerar - se não andassem tão assanhados, as questões que me levantaram este fim de semana nunca seriam postas.
Adiante com as ajudas que já chegaram:
-- Inkscape - já o tinha visto em Linux, mas nunca chafurdei muito nele. Mas parece promissor.
-- Blender - acho que até será muito mais que aquilo que será necessário para as necessidades reais, mas vou mostrar na mesma
-- Scribus - admito que desconhecia, mas parece-me perfeito para o que me pediram
Vou ter de "gastar" um dia dentro da oficina, a conversar e a ver o que é feito e como é feito para poder apalpar o pulso da situação, arranjar cópias de ficheiros para testar no meu laptop para compatibilidade, etc..
Quanto à vontade das pessoas para aprender a trabalhar com ferramentas novas vou restringir-me ao meu papel:
1) ou gastam dinheiro (muito), legalizam o parque de software e dormem descansados
2) ou continuam com o parque de software pirateado e arriscam-se a uma visita surpresa das autoridades e uma kilométrica multa e um possível encerramento
3) ou arriscam numa solução nova, que exigirá investimento de tempo e esforço para re-aprender a trabalhar, mas totalmente livre
Foi-me posta uma questão, não encomendado um trabalho, portanto não vou estar a fazer conversa de vendedor.
Implementar um sistema para arranque inicial de testes, para ambientação dos utilizadores, também me parece uma opção extremamente válida e vou debatê-la muito seriamente, mas só depois de ter inventariado a totalidade do hardware que tenho para integrar numa rede.
Quanto a software, o que já aqui se falou parece-me ser mais que suficiente. O demais software para desktop penso que uma instalação standard do Debian 4.0 será mais que suficiente para responder.
obrigado ASAE :) avante
obrigado ASAE :)
avante
se efetivamente tiveres luz
se efetivamente tiveres luz verde para avançar eu recomendava-te começares por colocar as aplicações a correr em windows e só passado um mês ou dois fazeres a mudança para linux.
assim mudas algumas coisas de cada vez... nada de disrupções... e mesmo assim já vai ser o diabo.
Para um grafico habituado ao photoshop, o gimp vai ser uma muleta fraca, até porque a logica é bem diferente, assim como as ferramentas...
have fun...
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"Manage complexity, achieve agility"
Asae e afins
Infelizmente ... a industria do software anda do avesso, assim como tudo o resto.
Quem utiliza software que é "essencial" para a sua actividade e não o paga "deve" ser punido. Este é o primeiro ponto. Conheço MUITOS casos, infelizmente. Empresas que fazem milhares com software pirata.
O Segundo ponto é que não existem bons substitutuos para plataformas opensource, quer queiramos quer não.
Terceiro, os vendedores de software usam e abusam da sua qualidade de fornecedores exclusivos. Digo exclusivos, porque compras uma licença do fotoshop, auto cad ou afins e ficas automáticamente preso a contratos chorudos de actualizações e assistência. Além disso, as pessoas preferem usar pirata a utilizar software ligeiramente mais fraco da concorrência, para que esta possa evoluir. E muitas vezes é mesmo por modas.
Quarto ... que faz (fabrica, desenvolve) software hoje em dia, preocupa-se mais com o seu lucro de venda e de agarrar clientes, do que com a qualidade do seu produto. Os clientes, por outro lado, preocupam-se com o software mais barato, mesmo que este não permita exportar os dados para outras aplicações ou em formatos que possam ser lidos por outras aplicações.
Quinto ... os utilizadores preferem o comum e não a inovação. Preferem o pirata ao legal. Portanto, quando a ASAE aparecer, logo se vê. provavelmente, têm já uma pasta cheia de cartas a dizer para revelarem aquilo que têm instalado (essas cartas são uma bela tanga ... quero ver a PJ com mandato para ir aceder aos servidores e desktops da empresa e ver dados confidênciais ... oh sim .. e dizzer aquilo que tenho instalado... ui ui).
Instalar Linux, julgo ser uma boa aposta ... mas não é amigável. O desenvolvimento em linux I( em opensource) é feito com reciprocidade ... eu uso, mas contribuo para o desenvolvimento, monetáriamente, com bugs, ou não. as empresas como a que referes, apenas sugam ... pirata, opensource, o que é preciso é que seja de borla. É uma má política.
Encontrar aplicações equivalentes é apenas um início e ... se mantém o dual boot, estás lixado, pois nunca mais se vão converter.
A táctica que utilizo é deixar um pc com possibilidade de utilização da forma antiga, seja na mudança de MS ofice para ooo, seja de windows para linux. 1 pc com dual boot ... os restantes com boot definitivo para linux.
Depois, penso ser bom ter mais algo a acompanhar a mudança ... uma centralização de documentos num servidor é uma coisa muito apreciada em ambientes documentais.
ficaram alguns pensamentos ...
Bem, começo por sublinhar
Bem, começo por sublinhar que me puseram uma questão, um desafio, se assim se pode chamar. De maneira alguma me disseram que existia mesmo vontade de fazer a migração, logo, não me sinto minimamente pressionado a apresentar uma solução "equivalente" ou "melhor" que a que existe.
A seguir, e fora de tópico, porque é que existem imensas empresas a facturar milhares ou milhões com ferramentas pirateadas? Também porque há empresas que oferecem essa possibilidade: se eu fornecer um software pirata ou fabricar um esquema para garantir que vêm à minha casa de x em x tempo para renovar uma demo (que já assisti, renovarem uma demo em troca de uma gorjetazinha que desaparece da folha de caixa, mas esquecendo-se de avisar que daí por 60 ou 90 dias o período de experiência termina, o que irá obrigar a pessoa a lá voltar e repetir o processo ou escudando-se atrás de uma desculpa esfarrapada que é uma exigência levar a máquina à loja dentro de certos períodos, cobrando horas de maõ-de-obra e reparações fictícias) - isto é fraude!
Ou, como neste caso, oferece-se a possibilidade de pôr software pirata, seja por amizade ou pena, porque não há dinheiro. Aqui, a corrupção do sistema começa na oferta e não na procura.
Custa muito dizer que não a software pirateado? Acho que sim, porque tenho amigos e conhecidos que ainda se agarram com unhas e dentes aos seus window$ pirateados, office's e quejandos e me tentam deitar abaixo quando abro o meu linux ao lado das máquinas deles - pena é que faço o mesmo que eles fazem, com menos esforço e sem gastar balúrdios ou esperar semanas ou meses por um download ou que o irmão do cunhado da namorada do primo do amigo lá da rua nos arranje uma cópia.
Quanto a colaboração, porque não? Uma doação? Mesmo que doe €10 ou €20 mensalmente para uma fundação de software, sai-me mais barato que ir a uma loja e dar mais de €250 por uma ferramenta que se instala e pronto, lá está, bonitinha, e quando sai uma actualização abre lá a carteira outra vez, que o meu trabalho não é de borla. E quanto a reportar bugs, testar betas, ajudar em projectos (embore não saiba escrever uma linha de código)? Porque não? Não estou a usufruir do trabalho de outros? Porque não hei-de contribuir com o meu?
Para bem ou mal, tenho vindo a espalhar aquilo que sei de OSS e que gosto nele a todos os que me perguntam e não tenho sido assim tão mal sucedido. E este desafio que me puseram é o mais aliciante que já tive até ao momento! Que me importa se vão ou não arriscar? Pelo menos dei a conhecer e isso já é mais que o que se vê no dia-a-dia.
Quanto aos dual-boot, penso que é melhor forma de fazer a transição.
Começar por uma máquina em dual-boot para experiência, avançar para um single boot, dando tempo para as pessoas se ambientarem ao sistema e às ferramentas e porventura mais tarde tornar tudo uma rede Linux exclusiva. Agora um servidor de ficheiros? A ideia é apelativa, mas pouco prática naquilo que conheço do que tou a enfrentar.
O que me preocupa neste momento é demonstrar que as ferramentas existem e provar que pode ser feita a experiência. Se depois é levado a cabo o projecto? Logo se verá.
Fiquem atentos aos próximos episódios, caros telespectadores!
Já foi quase tudo dito,
Já foi quase tudo dito, apenas uma achega:
Entre a opção dual-boot ou migração total, eu escolheria a última, por aquilo que o gass já disse: Se te pões com dual-boot, tás lixado com F grande !!
Outra coisa: e o Mac ? já toda a gente comentou do Windows "Pé-de-porco", mas e o Mac ? Será que é tão "pirata" como o resto ? Se for, é deitá-lo abaixo, senão podes ter fortíssimos pontos de resistência....
Para terminar: as ferramentas existem mas não fazem o mesmo, não te esqueças dos plug-ins e acrescentos externos que normalmente são postos nas aplicações da Adobe e afins que depois não existem nas OpenSource, Longe de mim dizer que não a este desafio (tomara eu que alguém me propusesse algo semelhante), mas lembra-te dos dois pontos mais importantes na mudança: 1 - Resistência dos utilizadores, 2 - Resistência dos utilizadores...
A resistência que encontrar
A resistência que encontrar passa-me completamente ao lado.
Fizeram-me uma pergunta, eu vou dar uma resposta de acordo com o que me perguntaram. Se depois será ou não aceite, é-me igual, pois o meu interesse aqui é mais se existe a possibilidade, pois simplesmente fazer este tipo de estudo ajuda-me a conhecer mais e melhor do que existe de OSS por aí para trabalhar.
Mas é claro que ficaria muito agradado se a "solução" que apresentar suscitasse interesse. Seria uma pequena grande vitória...
Contra Corrente
Este comentário pode causar indisposição nos leitores mais sensiveis, mas hoje é sexta e ficam com o fim de semana para recuperar.
Caro Qyron,
A proposta de passar para Linux partiu do cliente ou de ti? É que por vezes, estamos tão desejosos de desafios que complicamos as coisas. Se eu fosse analisar um pedido desse género com espirito aberto, recomendava que o cliente recorresse a financiamento para aquisição de versões legais.
O truque depois é não colocar uma instância de todas as aplicações em cada máquina, mas fazer uma distribuição razoável por tipo de trabalho/função.
O que poupas aqui? Um adobe creative suite 3 design standard já inclui tudo o que referenciaste e mais umas coisas, com a vantagem das novas versões CS3. Falamos de 1500 Euros.
Se recorrer ao financiamento, o cliente pagaria pouco mais de 50 euros/mês em 36 meses.
Se fizermos as contas, não compreendo que uma empresa não possa suportar o investimento, que rapidamente é pago pelas poupanças em formação/ adaptação e perda de produtividade. E o custo de implementação que cobrarias ao cliente? A poupança para o técnico é a credibilidade.
O Linux é bom para todos, mas nem todos são bons para o Linux.